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Hidratação no calor: idosos e crianças no verão

Hidratação no calor para idosos e crianças: por que idosos sentem menos sede, sinais de desidratação e insolação, alimentos com água e cuidados com remédios.

Vinícius Graton · CRN-9 9877Publicado em · 15 min de leituraConteúdo informativo, escrito por nutricionista.
Melancia, melão, laranja, salada de pepino e tomate, sopa de legumes e jarra de água gelada sobre mesa de madeira clara

Hidratação no calor exige atenção redobrada com idosos, que sentem menos sede, e com bebês e crianças, que dependem de um adulto para beber. Alimentos ricos em água ajudam, mas quem tem insuficiência cardíaca ou renal, ou usa diuréticos, deve combinar a quantidade de líquido com o médico. Tudo depende de avaliação individual.

Com o verão e as ondas de calor, aumentam as dúvidas da família: quanto o vovô precisa beber, o que fazer com o bebê, como saber se é só cansaço ou algo sério. Este texto reúne o que as revisões científicas mostram sobre idosos e crianças no calor, os sinais de desidratação e de exaustão pelo calor, o papel dos alimentos, os cuidados de quem tem restrição de líquidos e a segurança dos alimentos em dias quentes. É um conteúdo informativo e não substitui consulta médica ou nutricional.

Se você quer entender a conta geral de líquidos, de onde veio a regra dos "2 litros" e por que ela não vale para todos, leia antes o texto Mito dos 2 litros de água por dia. Aqui o foco é o calor e as duas idades em que o corpo pede mais cuidado.

Por que o calor pesa mais para idosos e crianças

O corpo se defende do calor suando e aumentando o fluxo de sangue na pele. Isso gasta água e sais minerais. Uma revisão crítica sobre calor e saúde pública aponta que o risco de morte por calor aumenta com o envelhecimento e que pessoas com maior vulnerabilidade social ou física também correm mais risco. As medidas incluem educação em saúde, alertas de onda de calor, melhorias na moradia, controle de doenças crônicas e cuidado com idosos em instituições (Kovats e Hajat, 2008).

As crianças entram na mesma conversa por outro motivo. Uma revisão sistemática sobre temperatura ambiente e saúde infantil concluiu que crianças muito pequenas, sobretudo menores de um ano, são particularmente vulneráveis a mortes relacionadas ao calor. Em ondas de calor, aumentam também os casos de doença renal, febre e desequilíbrio de eletrólitos nas crianças (Xu e colaboradores, 2012).

Em resumo: nos dois extremos da vida, o corpo tem menos margem. O idoso percebe pouco a falta de água. A criança pequena percebe, mas não consegue resolver sozinha.

Idosos sentem menos sede: o que isso significa

Uma revisão sobre idade, sede e ingestão de líquidos descreve que adultos com mais de 65 anos que vivem de forma independente costumam beber volumes adequados no dia a dia. O problema aparece quando o corpo é desafiado, por exemplo por privação de líquidos ou por exercício em ambiente quente. Nessas situações, os idosos mostram menos sensação de sede e bebem menos, e a recuperação completa do equilíbrio de líquidos fica mais lenta (Kenney e Chiu, 2001).

Isso já tinha aparecido em um estudo clássico publicado no New England Journal of Medicine. Sete homens idosos saudáveis e sete jovens ficaram 24 horas sem beber água. Depois da privação, os mais velhos sentiram menos sede e beberam menos, de modo que não voltaram ao estado anterior de hidratação (Phillips e colaboradores, 1984).

Na prática, "esperar a sede chegar" é um plano fraco para quem tem mais de 65 anos. Em dias quentes, vale criar lembretes simples:

  • deixar uma garrafa ou jarra visível, com a quantidade do dia combinada com o médico ou o nutricionista;
  • oferecer um copo pequeno a cada refeição, a cada visita e a cada vez que a pessoa levantar;
  • incluir sopas leves, frutas e gelatina no cardápio;
  • observar a cor e a quantidade da urina, lembrando que isso sozinho não confirma nem descarta desidratação em idosos;
  • não deixar o idoso sozinho em ambiente abafado por muitas horas.

Ainda é difícil confirmar a desidratação só com sinais simples. Uma revisão Cochrane que avaliou sintomas, sinais e testes para identificar desidratação por perda de água em pessoas com 65 anos ou mais encontrou poucos estudos publicados de acurácia diagnóstica e concluiu que nenhum teste isolado deve ser usado para indicar desidratação em idosos, porque deixa passar muitos casos e rotula errado quem está bem hidratado. Itens comuns como boca seca, sensação de sede, cor e volume da urina não foram considerados úteis sozinhos. Nenhum teste foi consistentemente útil em mais de um estudo, e a combinação de ter perdido bebidas entre as refeições e relatar cansaço mostrou boa especificidade, mas precisa ser confirmada (Hooper e colaboradores, 2015). A lição é prática: cansaço novo e queda na ingestão de líquidos merecem atenção, e a dúvida deve ser levada ao médico, não resolvida por palpite.

Bebês e crianças no calor

Nas crianças, a regra é a observação do adulto. A revisão de Kenney e Chiu aponta que crianças raramente apresentam desidratação voluntária em atividades de curta duração, de até 45 minutos, e que sabor na bebida e um pouco de sal ajudam a estimular o hábito de beber em crianças ativas. Isso descreve o comportamento das crianças e não é orientação para acrescentar sal ou preparar soros em casa; qualquer reposição de sais é com o pediatra. Ou seja, brincar um pouco no quintal não costuma ser o problema. O cuidado cresce com brincadeira longa sob sol forte, esporte e dias muito quentes.

Bebês

  • No bebê amamentado, o leite materno costuma atender a necessidade de líquidos, e o pediatra orienta quando e como oferecer água e outros alimentos. Não introduza chás, sucos ou bebidas por conta própria.
  • Roupa leve, ambiente ventilado e sombra ajudam. Evite agasalhar demais.
  • Nunca deixe bebê ou criança sozinhos dentro de carro fechado, nem por poucos minutos.
  • Se o bebê estiver muito quente, sonolento, mole, recusando mamar ou com poucas fraldas molhadas, procure atendimento. Veja a seção de sinais de alerta mais abaixo.

Crianças maiores

  • Ofereça água com frequência, em copos pequenos, antes mesmo de a criança pedir. Intervalos curtos de sombra entre as brincadeiras ajudam.
  • Fruta cortada e gelada, gelatina e picolé de fruta feito em casa, sem açúcar em excesso, entram bem na rotina.
  • Refrigerante e bebidas muito adoçadas não são boa forma de hidratar e favorecem o excesso de açúcar. Sobre bebidas esportivas e com eletrólitos, veja o texto Bebida com eletrólitos: precisa tomar?
  • Em diarreia e vômito, o risco de perder líquido rápido é maior. Avise o pediatra e siga a orientação dele para a reposição.

A mesma revisão sobre temperatura e saúde infantil aponta que temperaturas extremas afetam sobretudo as doenças infecciosas, entre elas as gastrointestinais (Xu e colaboradores, 2012), o que liga este tema à segurança dos alimentos, que veremos adiante.

Água demais também faz mal

Beber muita água em pouco tempo, sobretudo em bebês, em quem tem doença do coração ou dos rins e em quem faz esforço longo, pode diluir o sódio do sangue, quadro chamado hiponatremia. Dor de cabeça, enjoo, confusão ou convulsão depois de muita água pedem atendimento de urgência. Por isso a regra é oferecer líquido aos poucos e dentro da orientação do médico, e não forçar a beber.

Sinais de desidratação leve a moderada

Estes sinais costumam aparecer antes de um quadro mais grave. Em idosos e crianças, vale agir cedo:

  • boca seca, sede intensa ou, no idoso, ausência de sede apesar do calor (sinais isolados não são confiáveis nessa idade);
  • urina escura, com cheiro forte ou em pouca quantidade;
  • cansaço fora do comum, irritação, moleza ou sonolência;
  • dor de cabeça e tontura ao levantar;
  • cãibras;
  • no bebê, menos fraldas molhadas, choro sem lágrimas e boca seca.

Diante desses sinais: leve a pessoa para um lugar fresco, ofereça líquidos em pequenos goles, repouse e acompanhe. Se não melhorar, se piorar ou se a pessoa tiver doença do coração ou dos rins, ligue para o médico. Quem tem restrição de líquidos deve perguntar quanto pode beber, e não decidir sozinho.

Exaustão pelo calor e insolação: duas fases, dois níveis de resposta

O calor intenso pode causar um espectro de problemas, da exaustão por calor até o golpe de calor, também chamado de insolação ou "heat stroke". O golpe de calor é uma emergência. Em atletas, o golpe de calor por esforço é descrito como uma das principais causas de morte súbita no esporte, e o reconhecimento e o tratamento rápidos são decisivos (Casa e colaboradores, 2015).

Ligue para o SAMU 192 ou vá ao pronto atendimento se houver

  • confusão mental, fala enrolada, comportamento estranho ou dificuldade de acordar;
  • desmaio ou convulsão;
  • temperatura do corpo muito alta, com pele muito quente, vermelha e seca, ou calor intenso com ou sem suor;
  • vômitos repetidos que impedem de beber;
  • falta de urina por muitas horas;
  • bebê letárgico: muito sonolento, mole, que não reage ou que não consegue mamar.

Enquanto a ajuda chega: leve a pessoa para a sombra ou um ambiente fresco, afrouxe ou tire o excesso de roupa, molhe a pele com água fresca e ventile. Se a pessoa estiver confusa ou sonolenta, não force a beber, pelo risco de engasgo.

Avise o seu médico (ou o pediatra) no mesmo dia se houver

  • tontura, dor de cabeça forte ou cãibras que não passam com repouso e líquidos;
  • enjoo, diarreia ou vômito por mais de algumas horas;
  • febre junto com calor intenso;
  • aumento de peso ou inchaço nas pernas, falta de ar ou diminuição da urina em quem tem doença do coração ou dos rins;
  • uso de remédios que podem interferir no calor, como diuréticos, sem saber como proceder nos dias quentes.

Alimentos com água entram na conta

Parte da hidratação vem do prato. Frutas, verduras, legumes e sopas ajudam a levar água ao dia, e isso é especialmente útil para idosos que não gostam de beber água pura e para crianças que recusam o copo. Na revisão Cochrane citada acima, perder as bebidas entre as refeições foi um dos poucos achados com alguma capacidade de apontar desidratação em idosos, ainda que em um único estudo (Hooper e colaboradores, 2015). Por isso, reforçar líquidos e alimentos úmidos nas refeições ajuda.

  • Frutas: melancia, melão, laranja, tangerina, abacaxi, morango, uva e mamão.
  • Legumes e verduras: pepino, tomate, alface, chuchu, abobrinha e cenoura em saladas frescas.
  • Preparações líquidas ou úmidas: sopas leves, caldos, gelatina, iogurte natural e vitamina de fruta com leite.
  • Gelo caseiro: picolé de fruta batida sem adição de açúcar, bom para crianças e para idosos com pouco apetite.

Uma opção prática é a sopa de legumes com carne desfiada, que pode ser servida morna no jantar, mesmo em dias de calor, e acrescenta líquido e proteína ao dia. Para o idoso, a proteína também importa para preservar a massa muscular; veja Proteína após os 60 anos.

Cuidado com quem tem restrição de líquidos

Aqui a regra é clara: quem tem insuficiência cardíaca, doença renal avançada ou outra condição em que o médico limitou a quantidade de líquido não deve aumentar ou reduzir a ingestão por conta própria, nem em dias de calor. Sentir mais sede no verão é esperado. Tomar muita água de uma vez pode sobrecarregar o coração ou os rins, e beber pouco demais também traz riscos. O ajuste certo é individual.

Uma revisão sistemática recente sobre restrição de líquidos na insuficiência cardíaca encontrou quatro ensaios clínicos, com 682 participantes. Nenhum mostrou diferença significativa em mortalidade ou internação por insuficiência cardíaca, e a restrição resultou em mais desconforto de sede. A conclusão dos autores é que a evidência atual não sustenta a restrição de rotina, mas os estudos são poucos e a maioria tem risco de viés alto (Herrmann e colaboradores, 2026). Isso não autoriza ninguém a abandonar a orientação do cardiologista. Significa que o limite de líquidos precisa ser personalizado e revisado pela equipe, e o calor é um bom motivo para marcar essa conversa.

Dicas que não mudam a quantidade total e ajudam com a sede:

  • tomar os goles ao longo do dia, em copos pequenos, dentro do limite combinado;
  • chupar gelo feito com a água do próprio limite diário, se o médico permitir;
  • lavar a boca com água fresca sem engolir, e usar balas ou chiclete sem açúcar para estimular a saliva;
  • reduzir o sal da comida, que aumenta a sede. Para entender melhor o assunto, leia Sal light e pressão alta;
  • contar como líquido o que está nas sopas, nas frutas e no gelo, pois isso entra na conta do médico.

Se você ou alguém da família tem restrição e, no calor, notou peso subindo, inchaço, falta de ar ou muito cansaço, avise a equipe no mesmo dia.

Remédios que interferem no calor, sem mudar nada por conta própria

Alguns medicamentos alteram a forma como o corpo lida com líquidos e calor. Uma revisão de escopo de 2026 sobre medicamentos e doenças relacionadas ao calor em idosos reuniu 61 estudos e apontou que diuréticos, inibidores da ECA, bloqueadores dos receptores de angiotensina, anticolinérgicos e antipsicóticos foram as classes mais frequentemente associadas a doenças pelo calor. Os autores também registram que há pouca orientação baseada em evidências sobre como lidar com a interação entre remédio e calor (Tews e colaboradores, 2026).

O que fazer com essa informação:

  • Não pare, não reduza e não troque nenhum remédio por iniciativa própria. A medicação, a dose e os ajustes de verão são decisão do médico.
  • Leve a lista completa de remédios à consulta e pergunte: "Em dias muito quentes, devo mudar algo na minha rotina de líquidos ou de pressão?"
  • Se tiver vômito, diarreia, tontura ou pouca urina, avise o médico no mesmo dia, pois esses sinais mudam a conversa.
  • Idosos que usam vários remédios merecem revisão periódica da lista, e o calor é um bom momento para isso.

Quem controla a pressão também pode se interessar por Pressão 12 por 8: o que comer, mantendo sempre o acompanhamento médico.

Segurança dos alimentos no calor

Calor e comida estragam rápido. A revisão sobre temperatura e saúde infantil aponta que as temperaturas extremas afetam principalmente doenças infecciosas, incluindo as gastrointestinais (Xu e colaboradores, 2012), e diarreia e vômito são justamente o que mais desidrata crianças e idosos. Medidas simples reduzem o risco:

  • leve alimentos perecíveis para a geladeira logo após as compras e mantenha a geladeira bem fechada e organizada;
  • em passeios, praia e piquenique, use bolsa térmica com gelo e evite deixar maionese, ovos, carnes, laticínios e saladas prontas ao sol ou em temperatura ambiente por muito tempo;
  • lave bem as mãos, frutas e verduras; separe utensílios de carne crua e de alimentos que serão comidos crus;
  • cozinhe carnes e ovos até o ponto, principalmente para bebês, idosos e quem tem a saúde frágil;
  • na dúvida sobre cheiro, cor ou tempo de armazenamento, descarte;
  • use água de procedência segura. Se o abastecimento da sua região exigir cuidado, filtre ou ferva conforme a orientação das autoridades de saúde;
  • gelo também deve ser feito com água de boa procedência.

As festas e confraternizações de fim de ano também concentram esses riscos; veja o texto Festas de fim de ano: alimentação equilibrada.

Exemplo de um dia no calor para um idoso sem restrição de líquidos

Este é apenas um modelo de organização, não uma prescrição. As quantidades dependem de peso, saúde, apetite, remédios e orientação médica. Quem tem restrição de líquidos deve usar o limite definido pelo médico.

  • Ao acordar: 1 copo pequeno de água, em goles.
  • Café da manhã: 1 xícara de café com leite ou leite, 1 pão ou 2 fatias de pão integral com ovo mexido ou queijo branco, 1 fatia média de melão ou mamão.
  • Meio da manhã: 1 copo de água de coco ou de água, e 1 fruta como laranja ou tangerina.
  • Almoço: prato com salada de alface, tomate e pepino à vontade, 3 colheres de sopa de arroz, 1 concha de feijão, 1 filé pequeno de frango grelhado ou 1 porção de carne magra, legumes cozidos. Um copo de água ou suco natural sem açúcar.
  • Lanche da tarde: 1 pote de iogurte natural com frutas picadas, ou gelatina, e 1 copo de água.
  • Jantar: 1 prato de sopa de legumes com carne desfiada ou frango, e 1 fatia de melancia de sobremesa.
  • Antes de dormir: 1 copo pequeno de água, se não houver incômodo noturno para ir ao banheiro.

Para uma criança maior, a lógica é a mesma, com porções menores e a água sempre ao alcance, oferecida a cada intervalo de brincadeira. Para bebês, siga a orientação do pediatra.

Resumo para levar

  • Idosos sentem menos sede e se recuperam mais devagar. Ofereça líquidos sem esperar o pedido (Kenney e Chiu, 2001).
  • Crianças, sobretudo menores de um ano, são mais vulneráveis ao calor e dependem de um adulto atento (Xu e colaboradores, 2012).
  • Confusão, desmaio, convulsão, pele muito quente e vômitos que impedem de beber pedem SAMU 192.
  • Alimentos ricos em água ajudam a completar a hidratação.
  • Insuficiência cardíaca, doença renal e uso de diuréticos: nada de mudar líquido ou remédio por conta própria; pergunte ao médico.
  • No calor, a segurança dos alimentos faz parte da hidratação, porque diarreia desidrata.

Você pode usar as ferramentas do site para organizar a sua rotina, mas lembre que elas não substituem a avaliação individual.

Referências

  1. Kenney WL, Chiu P. Influence of age on thirst and fluid intake. Med Sci Sports Exerc, 2001;33(9):1524-1532. PubMed.
  2. Phillips PA, Rolls BJ, Ledingham JG, et al. Reduced thirst after water deprivation in healthy elderly men. N Engl J Med, 1984;311(12):753-759. PubMed.
  3. Hooper L, Abdelhamid A, Attreed NJ, et al. Clinical symptoms, signs and tests for identification of impending and current water-loss dehydration in older people. Cochrane Database Syst Rev, 2015;(4):CD009647. PubMed.
  4. Kovats RS, Hajat S. Heat stress and public health: a critical review. Annu Rev Public Health, 2008;29:41-55. PubMed.
  5. Xu Z, Etzel RA, Su H, et al. Impact of ambient temperature on children's health: a systematic review. Environ Res, 2012;117:120-131. PubMed.
  6. Casa DJ, DeMartini JK, Bergeron MF, et al. National Athletic Trainers' Association Position Statement: Exertional Heat Illnesses. J Athl Train, 2015;50(9):986-1000. PubMed.
  7. Herrmann JJ, van Berlo R, Brunner-La Rocca HP, et al. Fluid restriction in patients with heart failure: a systematic review. Heart, 2026;112(17):939-945. PubMed.
  8. Tews LM, Abazia DT, Blackburn H, et al. Recognizing and Mitigating the Effects of Medication on Heat-Related Illness in Older Adults: A Scoping Review. Pharmacy (Basel), 2026;14(3):74. PubMed.

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Vinícius Graton · CRN-9 9877

Perguntas frequentes

Idosos realmente sentem menos sede?

Sim. Uma revisão e um estudo clássico mostram que, diante de privação de líquidos ou calor com esforço, os idosos apresentam menos sensação de sede e bebem menos do que adultos jovens, e a recuperação do equilíbrio de líquidos é mais lenta. Por isso, em dias quentes, vale oferecer líquidos em horários combinados, sem esperar o pedido. A quantidade ideal depende de avaliação individual.

Bebê pode tomar água no calor?

Em bebês amamentados, o leite materno costuma atender a necessidade de líquidos, e o pediatra orienta quando e como oferecer água. Não ofereça chás, sucos ou outras bebidas por conta própria. Se o bebê estiver muito quente, sonolento, mole, sem mamar ou com poucas fraldas molhadas, procure atendimento.

Quais são os sinais de que preciso ligar para o 192 no calor?

Confusão mental, desmaio, convulsão, temperatura do corpo muito alta com pele quente e seca, vômitos repetidos que impedem de beber, ausência de urina por muitas horas e bebê letárgico, muito sonolento ou que não reage. Enquanto a ajuda chega, leve a pessoa para a sombra, tire o excesso de roupa e molhe a pele com água fresca. Não force a beber quem está confuso. Sinais mais leves, como tontura, cãibras ou enjoo que não passam, pedem aviso ao médico no mesmo dia.

Quem tem insuficiência cardíaca ou doença renal pode beber mais água no verão?

Não por conta própria. Quem tem limite de líquidos definido pelo médico deve manter o combinado e avisar a equipe se sentir muito calor, sede intensa, inchaço, ganho de peso ou falta de ar. O ajuste é individual e pode ser revisto pelo médico.

Posso parar o diurético nos dias de calor?

Não. Remédios, doses e ajustes são decisão do médico. Uma revisão de escopo aponta que diuréticos e alguns anti-hipertensivos estão entre as classes mais associadas a doenças pelo calor em idosos, mas isso é motivo para conversar com o médico, e não para suspender o tratamento sozinho.

Que alimentos ajudam na hidratação no calor?

Frutas como melancia, melão, laranja e abacaxi, verduras e legumes como pepino, tomate e alface, sopas leves, gelatina e iogurte natural contribuem com líquido ao dia. Eles complementam, mas não substituem a água. Quem tem restrição de líquidos deve contar esses alimentos na conta definida pelo médico.

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